sábado, 2 de julho de 2011
randomizar tbm é viver.
Anyway, estou em um momento da minha vida q estou sendo perseguido pelo fantasma da atitude pós-moderna perante o mundo. Estou sendo contraditório; ao mesmo tempo q tô sendo mais aberto e plural, estou saturado do mundo. Tenho vontade de chegar e falar como deve ser feito por vezes e em outras a única coisa q tenho é imagens de DOOM. Quero preocupar com a simetria disso e entrego trabalhos acadêmicos de forma avulsa.
Comi ontem no Eddi’s e a tradicional família mineira estava toda lá. sim, estão certos, isso nunca me incômodo, mas dessa vez foi estranho porq vi neles uma situação q n reparara ainda. Claro que provavelmente é porque sou contemplativo frente aos fenômenos sociais e diante deles escolho pensar nas excentricidades de Netuno, todavia pensava que eles ao se sentirem prejudicados gritavam silenciosamente, porém a demorava estava sendo abusiva e nadinha.
Diante de umas bizarrices dessas de mau atendimento e descaso num lugar onde, em teoria, o atendimento é de excelência q começo a acreditar nas idéias de darwinismo social e q toda essa minha atitude de contemplação diante do mundo tem uma explicação lógica. Entretanto (novamente o otário desprezando as teorias das, ditas, ciências sócias. Rs), tudo isso n importa, a questão central aqui é diante de uma situação adversa me senti estranhamente muito confortável. Comofas?
Na real que acho q to considerando tudo muito cafona, daí, diante disso, relacionar a idéia da patti ficando Chalky deixa de ser uma coisa lacônica. E paralelamente voce fica curioso querendo conhecer a Connie porque é uma menina q voce acha q deve ser legal, contudo, é apagadinha porq a timidez a ofusca. No momento que pensar na P. Maionese com outro cara deixa de ser uma coisa dura é q vc começa a lembrar q ela curte esportes e outras idiossincrassias n tão agradaveis.
Enfim, tudo isso tá ficando muito chato, e poderia terminar com um endereço eletronico de horoscopo ou receita de bolo, todavia, caro leitor imaginário vou te dar um presente e deixar um linkzinho dos herois do universo marvel zumbificados:
http://mundodonerd.blogspot.com/2006/11/marvel-zombies-mais-uma-de-kirkman.html
Enjoy guerreiro que resistiu bravamente até aqui. (se voce foi sagaz e só leu as 3 primeiras linhas e as 3 ultimas também merece esse brinde pela solércia. Há) [porém sou mais esperto e criei um p.s anti-malandro. há)
P.s: confesso q depois q terminei de ler isso deu uma tristezazinha, contudo, como diria o ídolo 'as sensações são enganosas, os sentimentos nos enganam. A cerca disso nada é possível ter certeza' (olha a filosofia pós-moderna influenciando muito antes de seu advento. risos)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Uma pergunta coerente, por q estou menos envolvido ainda nessa atual em relação à última? Sabe, era meu primeiro ano na universidade, precisava conhecer para poder criticar (a critica com fim em si só, em minha concepção, não se justifica). Tenho, para mim, que necessito de ter um mínimo de entendimento da realidade para poder emitir algum posicionamento e não possuo problemas em admitir q não sei da maioria das coisas. Ok, sempre q tenho dúvidas consulto meu oráculo Douglas Adams, mas nem sempre ele está em mãos. Tsc
Outra afirmação, q tinha perpassado, é de sempre serem as mesmas pessoas. E, pois é, infelizmente a realidade é a mesma, malditos, tatus, jacarés e outros animais da vida q vêm aqui apenas em épocas de eleição. O mesmo grupinho, de sempre, se ponderando, de algo q em teoria deveria ser um órgão de representação dos estudantes, para promoção de ser partidecos ridículos (em alguns casos extremos, nem tão incomuns como pode parecer, até autopromoção), fazêoquê, né?
Sim, está faltando comentar da única coisa interessante q disse até agora nesse post, q sei tá ficando excessivamente boring, q é a entrada do PSDB e Grelha. Você pode até odiá-los e mimimimi’s da vida, entretanto uma das maiores críticas a esse movimentozinho estudantil nanico é a ausência de representatividade. Não estou dizendo q agora à votação vai ser super diferente dos outros anos, até porq existe uma questão de interesse (acho q, como já dito, n objetivam e nem acreditam em vitória) e logística/capital humano (por motivos óbvios q até o pessoal #preguiça da chapa “likedilmaboys” deve concordar) q é importante q se toque, todavia o que estou colocando é q existem pessoas q n tinham ninguém para representá-los q agora existe. E, se a idéia é "ser mais democrático e aberto possível alcançando assim o maior número de estudantes possíveis", daí decorre minha pergunta: “Por quê não?”
Volto ao q postei no ano passado e vejo novamente q ocupo o mesmo lugar, q ocupava ano passado agora, no imaginário das pessoas. O lugar das forças negras, dos vogons do sistema de pensamento, o cara burguês contrarrevolucionário
Enfim, acredito sim q role uma certa fascinação, por sua rarefação intelectual, dessas idéias comunas para atingir milhões de idiotas; porq ou é isso, ou as pessoas são realmente muito ingênuas. O que fazer quanto chega aquela menininha d primeiro ano de faculdade empolgada fazendo campanha para eles? Sei lá, né? Hir, mais nada.
Aahh, e por último, esse ano n teve a bandeirinha gostosa, contudo teve as garotinhas do PSDB/PT q ficaram fazendo campanha no ICEX, delicinhas demais! #loveinconsistencies, including mine.
Seeya povo mal-amado.
Pós escrito: deixo um frase random pra ver se é minimamente proveitoso o tempo q perdeu aqui com esse total nada, então segue aí, enjoy:
“Idéias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão. As boas idéias devem ser levadas às pessoas de tal modo que elas se convençam de que essas idéias são as corretas, e saibam quais são as errôneas.” (MISES, Ludwig von. As seis lições. IL. 4ªed p.97)."
Resumo/ Palavras chave: Politicagem, Douglas A., alternativas oiiiq?, ingenuidade, citações pseudo cool e garotas de shortinho.
sábado, 28 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
BBC CBeebies
Ver aqueles ‘camaradinhas’ de 18,19 até 20 anos falando aquelas coisas da ‘vermelhada’ é até atípico, demonstra um grau de engajamento, compromisso, e mais ‘n’ coisas que seria clichê ficar citando aqui (por mais que ache que seja falta de maturidade e senso de realidade), porém ver aqueles caras de ‘profissão estudante’ se alimentando desse sentimento é (para dizer o mínimo) cuvioco.
O pior que é sempre o mesmo discursozinho metódico que talvez pela falta de originalidade e teoricamente igualicionista que tantos se sentem tentados a militar. O legal que mais tarde as pessoas acordam, e tem que trabalhar para manter uma família, uma condição legal e tudo mais que é necessário em um sistema de acumulação de capital (sem entrar no mérito do mesmo, por favor) ou viram politiqueiros ‘espertalhões’.
Enfim, agora começa a seção narcisismo e como me posiciono frente a esse processo politico/social. Assim como os ‘vogons’, não acho que chegue a ser malévolo, mas mal-humorado, insensível e burocrático são coisas que acredito que me descrevem até que bem. (outra coisa deles que tenho é a feiura e inaptidão de escrever poesias, mas isso é irrelevante nesse quadro político/social. maybe not, whatever). Estou querendo dizer com isso q esses apelos puramente sentimentais são muito pouco representativos e preciso de coisas mais concretas e testáveis pra aderir a movimentos.
No véi, tô achando esse texto altamente chato... Então vou encerar com a palavra que os nossos ‘amiguinhos’ (no melhor estilo teletubbies, sacou o trocadilho e a metáfora implícita ? AH AH HÁ foi boa, foi boa, admitam, será que alguém realmente fica lendo essas coisas aleatórias que escrevo? HAHA ) sindicalistas adoram, eita coisinha ‘PELEGA’ que fui fazer hoje, hein! Até porque um partido onde os (únicos)expoentes são uma bandeira de futebol gostosa que posou para a playboy, um jogador de tênis de mesa de origem em um dos países mais capitalistas do mundo (que será que pelo menos faz idéia do que seria o que ele esta propondo?)e Netinho de (p)Paula (sei lá se isso é nome ou o algo inventado) não se deve dar muito cartaz; talvez um cartãozinho vermelho cairia bem, né? Ixe, voltei a maldita cartilha
FAIL ME
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Bem, o que aconteceu dia 11/09/2001? Muita gente vai falar que "ah, isso é bobagem, povo fica dando muita atenção para isso, blá blá blá", mas isso de fato é relevante... Pessoal pode até falar isso, mas tenho certeza que pelo menos 80% das pessoas sabem o que estava fazendo naquela hora...
Tipo foi uma coisa MUITO marcante mesmo. Na época era ainda um kid da 6ª série, (tá bom, sem piadas do tipo ‘continua sendo’ e afins) estava na escola tendo aula de história com a Cássia. Ela estava corrigindo tarefa, e como ela não tinha muito habito de fazer isso, a maioria da turma não fez. E justo nesse dia ela resolveu corrigir e colocar quem não tivesse feito para fora de sala para fazê-la (a ‘tarefa’ os pervertidos) e juntamente com comunicado de suspensão para os pais (ficaram apenas eu e mais 2 na sala. parece piada, mas nem é!). Nisso chegou um cara lá que ficava fiscalizando os corredores, se o povo matava aula e tudo mais (hoje em dia o ‘Tião’ já até morreu, mas isso é irrelevante, apenas um detalhe aleatório), falando que tinha rolado, a professora parou a aula na hora. Claro que não fez muita diferença, né?
Na época tinha tipo uma televisão pequena na cantina, onde o povo matava aula fingindo que participava da E. Física, como eu sempre fazia (sim, isso me rendeu um trabalho imenso sobre as olimpíadas e tive que fazer um “Decato Acadêmico” no segundo ano em função das faltas, como já devo ter comentado com alguns), daí a gente chegou lá e tinha milhões de pessoas olhando aquilo tipo com cara de nonsense. Lembro a cara da professora inclusive, ela olhava assim meio que sem saber o que falar, ela olhava para a gente (a gente esperando uma reação dela, que ela falasse algo, ou que liberasse a gente, qualquer coisa, e ela ali estatica, sem nada falar). Eu só pensava em sair mais cedo para ver o Dragon Ball, (acho que na época inclusive nem era o “z” ainda, era o Dragon B. mesmo. O que o 'Goku' era pequeno e tinha que pegar as esferas do dragão, acho até muito mais bacana esse. Pô cresci vendo esse, cheguei até a fazer e completar álbum de figurinhas, ganhadas no tapão diga-se) era tão bobo (a dica do sem piadas continua) que nem liguei o fato de tar rolando aquilo com não ter o desenho no dia (FAIL ME).
Esse ocorrido foi uma coisa bem freak mesmo, pegou todo mundo de surpresa! Lembro que o José Honorato (professor de Geografia) não queria comentar sobre o assunto, alegando que não tinha embasamento para tal.
Agora sendo sincero, era do tipo tolo mesmo naquela tempo, lembro que fiquei tipo com sadismo, hoje só seria sádico se fosse na sede do PSOL, ou em um encontro do MEPR! Brincadeira, por mais chatos e desagradáveis que eles sejam sempre existirá os fones de ouvido (como foi o caso de hoje. HÁ!) para me auxiliar, logo os mísseis que devem ser atirados a eles são apenas os de realidade.
Relembrar é viver!
(outro clichê que se encaixa bem nessa hora, fodeime, é definitivamente tenho que parar de criticar mentalmente quem usa dos clichês!)
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Teorias e desejos saudosistas
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Love the hierarchy and social standards established
Ah é, vi a menina lá da E. Aeroespacial, confesso ter vontade sim de desenvolver uma amizade com ela, mas apenas a comprimentei e cumpri com o protocolo-social. Ela parece ser bem legal, mas a vergonha sempre me bate a porta, quem sabe um dia que ela não estiver rodeado de amigos (como sempre, apesar de ser poucos sempre estão lá) consiga falar de O_Guia_do_Mochileiro_das_Galáxias – além de outras coisas mais que conversamos como o dia que a conheci. Espero que ela goste de RPG, seria muito doido ter alguém para conversar ás vezes, foda-se para mim.
(que bom que estou tendo tempo para atualizar essa coisa há anos abandonada. UFMG ás vezes é como àqueles bichinhos que consomem as coisas, come as atividades pessoais das pessoas, mas como navegar é preciso continuo a este bordo)
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Vejo-te na vontade, te sinto na saudade.
Bem outra vez estou em um dia comum, porém esse dia “comum” acabou não se mostrando tão comum como os demais. Sim, ainda estou em meu quarto com a porta fechada tomando do meu danete de chocolate branco, mas no entanto hoje os sentimentos estão se misturando... como uma espécie de sinestesia das lembranças e momentos. Companheiros (será por que esse termo veio a minha cabeça hoje? Não sei, Há) que sempre me reconfortaram, como quadrinhos e Role-playing game, hoje me parecem incrivelmente vazios.
Será sua sensacional capacidade de discordar de todos os meus pontos de vista, a forma que fala ou aquele jeitinho no cabelo? Bem não sei, pode ser também uma mescla de tudo junto (o que honestamente é o que mais creio)
Talvez nunca te conhecer teria sido melhor, pois assim não teria feito as bobagens que fiz e não cometeria os erros que cometi... e assim ainda me admiraria de uma forma linda e singela, sem aquelas idiossincrasias do meu ser.
Whatever, minha letra esta saindo muito feia e sinto que qualquer momento minha lagrima pode molhar o papel; porque te sentir quando sei que não sente, te buscar quando sei que não me busca, é simplesmente nonsense! Só sei que foi difícil passar na banca de jornal hoje e ver aquelas duas miniaturas do star wars e não me sentir meio deprê.
Nunca foi de bairro pobre, sempre foi de origem nobre, moreninha! Viver é o maior castigo, viver não faz sentido!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Venda proibida
Mais uma vez provei do néctar da derrota, enquanto outros se glorificam com a vitória (Claro que tive a chance de ser o herói charlatão, porém prefiro ser o anti-herói feio, que se senta no fundo da sala). Tive outra oportunidade e falhei (como de costume), e a agora só me resta lamurio, tristeza e devaneios noturnos.
Agora vejo os “bonzinhos” sorrirem e comemorarem a conquista dos justos. Mas por outro lado sigo consciente que apesar do despautério do destino nada mudou, os “legais” continuam sendo os verdadeiros “ingênuos” e infames. Enquanto os “freaks” e tolos continuam sendo os “derrotados”.
Um dia (e usei essa indeterminação proposital) os “losers” ainda irão conquistar o momento máximo, momento esse que se perdurará por um grande espaço de tempo, pois estes que desde de os primórdios se acostumaram a ser os “vencidos” conhecem bem a glória de chorar e quando esse ápice for enfim alcançado saberão como melhor prorrogar e utilizar (tenha visto tamanha espera).
Já os “vencedores” que só presenciam uma faceta do duelo, quando a história do burguês com a cortesã chegar ao salão comunal, ao de penar, pois a conquista é muito reconfortante (óbvio né?), porém é na derrota que se conhece o que te sobra além das coisas casuais. E para eles o que será que sobrará?
INSIPIRAÇÕES
Os poucos que tinham o prazer de sua companhia diriam que era uma das pessoas mais interessantes que conheciam... Frio, irônico, impulsivo, e também paradoxalmente calculista e claro sincero como não se poderia deixar de ser. Sabia de todos seus defeitos, e adorava cada um deles.
Desde pequeno sonhava com B. Bardot. Sempre brincavam os seus sentimentos, porém não havia nenhuma que lhe chamasse muita atenção... Nunca tinha amado de verdade. Preferia pensar assim e se iludir. Aos mais íntimos que conheciam todo seu passado, mostrava hipocritamente que já tinha superado tudo o que passou.
Ramon, como era conhecido o baixinho de cabelos pretos, pouco sabia sobre si mesmo. Mas tinha idéia do porque fugira de si mesmo sem deixar pistas. Contudo ainda tinha muita esperança em reencontrar-se. A lembrança mais concreta que ela tinha de sua coragem era uma foto colorida, que acabou deixando cair da mochila quando saia correndo da casa do pai pros braços do primeiro dia de aula.
Aos amigos (se tivesse eram poucos) ele conversava sobre gibi e reportagem de revistas, na verdade nada que atrai muito os garotos da sua idade, sobre feitos nada falava, porém sempre tramava alguns, nunca concretizados ao fim.
A boate da cidade nunca fora seu recinto, às vezes até conseguia se divertir, mas de formas totalmente diversas da maioria, coisa que para muitos pareciam clichê e passadas, para ele era sempre motivo de grandes comemorações. Outras memórias insistiam em incomodar, e essa era mais uma dessas noites.
Fumava o terceiro cigarro roubado do tio que tinha ido visitar, e bebia a cerveja que o garçom lhe havia entregado. Ignorando toda e qualquer dignidade que ainda o restava, bem como o banco desconfortável que estava sentado, a música irritante que estava tocando e, todos outros infelizes que por azar estavam naquele mesmo ambiente. Mas naquele local totalmente maluco ele conseguia pensar e indagar-se se queria viver assim achando que sofrer é amar demais. Sem saber bem o que tinha tomado – O que tiver aí de mais forte... - mostrando a nota de cinqüenta reais que roubara junto com os cigarros, bebeu um liquido verde servido numa taça que trazia uma pedra branca flamejante que após parcialmente derretida foi misturada ao líquido pelo garçom. Bebeu o mais rápido que pode como se junto com o gosto fosse também toda aquela angustia. Aceitou ir embora carregado pelo amigo que lhe acompanhava.
No dia seguinte levantou-se o mais cedo que conseguiu mesmo ainda meio tonto e com uma dor de cabeça que jamais havia sentido antes foi até a cozinha encheu uma garrafa de água gelada, pegou a mochila jogada no canto da sala e saiu com destino à casa das decisões, aquilo não poderia perpetuar mais. Precisava daquela foto, precisava ver aqueles olhos de novo, aquele sorriso que escondia tanta coisa, e principalmente precisava ver de novo os braços dela envoltos de um bebe enrolado num cobertor xadrez.
Enquanto a paisagem assistia ele passar pelo vidro do ônibus, ele pensava no que faria se um dia precisasse ser alguém de pulso e atitude firme, porém não se preocupou muito, era domingo à tarde, dia da canastra do bar regada à cachaça vagabunda, ele não voltaria antes da meia noite, pelo menos era o que esperava. Daí os momentos consigo mesmo seriam longos
Quando desceu do ônibus naquela rua que estava evitando há tanto tempo, aquela rua testemunha de tantas cenas das quais tentava (sem sucesso) não lembrar, sentiu um pingo de arrependimento camuflado em uma lágrima que insistiu em cair. Correu rápido até à casa de madeira velha do fim da rua, antes que a segunda lágrima o fizesse sair correndo dali. Tudo continuava igual, o portão baixinho, a arvore e o balanço, o vidro quebrado da porta da frente, e a cortina verde desbotada. A chave que tinha escondido há uns anos atrás continuava no mesmo lugar, embaixo de uma lajota que contornava um caminho até a porta dos fundos. Eis as lembranças da sua juventude tocada e sem méritos algum, façanhas e grandes conquistas.
Girou a chave e empurrou a porta, não ligou muito pra louça suja na pia, as garrafas de vários tipos de bebidas jogadas por todos os cantos, e a geladeira vazia aberta, correu pro seu antigo quarto, procurou por todos os cantos a foto e não encontrou, procurou na sala e não encontrou muito além de muita poeira e umas revistas de quinta categoria. Pé por pé foi ao quarto. A cama desfeita, as roupas no chão, a janela fechada, aquele cheiro que fez se lembrar de tantas outras coisas. Ia saindo desanimado quando olhou na cômoda uma porta-retrato virada pra baixo virou-o com cuidado e não conteve as lagrimas quando viu aqueles olhos escuros de novo. Ficou ali observando cada detalhe da foto por alguns minutos. Abriu a mochila, tirou de lá de dentro uma agenda velha, guardou a foto cuidadosamente entre as folhas, botou a agenda dentro da mochila de novo e certificou se de que estava bem fechada.
Não agüentava mais aquele lugar e todas aquelas lembranças que ele trazia. Saiu correndo do quarto, quando viu em cima de uma mesinha no canto da sala um urso azul, que acreditava ter ganhado de sua mãe. Foi lá pega-lo quando percebeu um buraco em baixo da mesinha. Sabia da existência do porão, mas nunca havia pisado lá. Vendo alguns objetos estranhos lá em baixo, desceu pra conferir. Entre ferramentas normais encontrou um facão afiado. Uns livros no chão deteriorados pelo tempo e pelos ratos, alguns pedaços de madeira, e um estante empoeirada com alguns objetos dentro, abriu as gavetas da estante viu uns papéis desinteressantes, folheou alguns, e abriu a gaveta de baixo onde achou o cobertor xadrez que enrolava o bebe, sua emoção ao encontrar o manto foi quebrada com um barulho vindo lá de cima. Ficou o mais imóvel que conseguiu até ouvir algum outro barulho. O que não demorou muito... Garrafas rolando pelo chão e algumas palavras de baixo calão. Sem duvida era a maturidade e as decisões que agora batiam a sua porta. Tinha sido mandado embora do bar por não ter mais dinheiro pra pagar o que consumia e não ter mais amigos que persistissem a sua companhia inoportuna, e suas divagações metalingüísticas consigo mesmo.
Enquanto lá em baixo não conseguia pensar no que fazer, bem no fundo não conseguia pensar no quais atitudes tomar. Olhou pro lado e viu aquele facão afiado, talvez fosse o mais sensato no momento. Era a hora do final, pensou ele. Os três anos presos a interrogações e questionamentos metafísicos não eram nada comparados a uma infância perdida, a lembranças terríveis, muito menos a falta que mãe lhe fazia. Ele teria que sofrer o máximo que conseguisse para um dia olhar para traz e enxergar que consegui superar.
Pegou o facão e subiu com dificuldade pela fenda que tinha, estaria fraco, mas a ausência de coragem persistia mesmo assim. No primeiro momento não se reconheceu, não reconheceria nem a ele mesmo no espelho naquele estado de loucura. Ele vendo o facão tentou se defender, mas a partir daquele momento se fizera homem, e as inseguranças não mais faziam parte do seu ser. Largou o facão no chão, olhou pra si, e sentiu o nojo que sentia há anos atrás. Chorava. Mas agora era seguro de si. Era o que importava pra ele. Por sorte o ônibus não demorou mais que meia hora pra passar. Já era noite. E dentro do ônibus só havia ele o cobrador e um moço que desceu um pouco depois. Chorava vendo a foto, e a nostalgia era frenética.
Descendo do ônibus correu pra casa enrolado no cobertor xadrez, mas era hora de se livrar agora chegamos ao ponto máximo da narração, ''o que você que?", basta de lembranças e a saudosismo, quero sentar no campo olhando para a garota me explicar o motivo da entrada dos bosques, a entrada e manutenção da minha vida acadêmica e um futuro promissor, sentar num boteco e falar sobre coisas triviais, analisamos, pensamos, refletimos, mas o que conforta e saber que quando estamos naquele momento, é o local que gostaríamos de estar. e não há Paris,Londres, ou Liverpool que se compare com momentos clichês da troca de figurinhas e conversas sobre o nada e ao mesmo tempo sobre tudo.
Então chego ao momento de querer viver a psicodélica dos anos 60 e andar de mãos dadas olhando o palhaço falar coisas sobre a vida. O que quero é pode olhar e ver que tenho uma vida e uma história, e olhar para traz e simplesmente passar como sempre fiz, mas com dignidade, grandes pretensões nunca foram meu carro chefe e abre-alas. Enfim quero as discussões malucas com meu professor de português, e as sonecas na hora da álgebra da vida.